Apenas 76 áreas no Brasil são classificadas como Parques Nacionais

Unidades de conservação são consideradas estratégicas para proteger a biodiversidade, água, clima e espécies ameaçadas

O Brasil possui atualmente 3.421 Unidades de Conservação (UCs), segundo dados do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Desse total, apenas 76 são classificadas como Parques Nacionais, categoria considerada uma das mais estratégicas para a proteção ambiental no país.

Os Parques Nacionais fazem parte do grupo de Unidades de Conservação de Proteção Integral, voltadas prioritariamente à preservação da natureza. Nessas áreas, é permitido apenas o uso indireto dos recursos naturais, como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e visitação controlada.

Além do elevado nível de proteção, os Parques Nacionais abrigam ecossistemas frágeis, habitats de espécies ameaçadas, nascentes estratégicas e áreas de grande relevância paisagística. Essas unidades contribuem diretamente para serviços ecossistêmicos essenciais, como regulação climática, conservação do solo, proteção dos recursos hídricos e estoque de carbono.

“Essas áreas ainda enfrentam desafios importantes, como a falta de investimentos, a carência de infraestrutura e a pressão de atividades ilegais. Outro ponto de atenção é a necessidade de um planejamento adequado para o uso público, garantindo que a visitação aconteça de forma ordenada e sem comprometer os objetivos de conservação”, afirma Samuel Portela, coordenador de Conservação da Biodiversidade da Associação Caatinga.

Ao mesmo tempo, os Parques Nacionais também são vistos como oportunidades de desenvolvimento sustentável. Quando bem geridos, podem impulsionar o turismo ecológico, fortalecer economias locais e ampliar o envolvimento da sociedade com a conservação ambiental.

No Ceará, os Parques Nacionais mais conhecidos estão localizados fora da capital e desempenham papel importante na conservação ambiental e no turismo sustentável do estado. O Parque Nacional de Jericoacoara, no litoral oeste cearense, protege dunas, lagoas, manguezais e áreas costeiras de grande relevância ecológica, além de ser um dos principais destinos turísticos do Brasil. Já o Parque Nacional de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, preserva áreas de mata úmida, cavernas e biodiversidade típica da região serrana, sendo reconhecido pelas trilhas ecológicas, paisagens naturais e pela famosa Gruta de Ubajara.

Em outras regiões do país, também há parques nacionais de grande destaque. O Parque Nacional do Iguaçu é um dos mais conhecidos do Brasil por abrigar as Cataratas do Iguaçu, uma das maiores quedas d’água do mundo e Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Além da importância turística, o parque protege uma das maiores áreas de Mata Atlântica do país e espécies ameaçadas, como a onça-pintada. Outros exemplos emblemáticos são o Parque Nacional da Chapada Diamantina e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A importância dessas áreas protegidas estará em debate durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade (UCBIO 2026), promovida pela Associação Caatinga e pela Rede Pró-UC, entre os dias 7 e 9 de junho, em Curitiba (PR).

Com o tema “Parques Nacionais: conservar para todos o que é de todos”, o evento irá discutir o futuro das unidades de conservação brasileiras e o papel estratégico dos Parques Nacionais na proteção da biodiversidade. As inscrições para a UCBIO 2026 seguem abertas e podem ser realizadas pelo site oficial do evento, ucbio.org.br.

“O momento que vivemos, no Brasil e no mundo, exige um posicionamento claro em favor da natureza. As Unidades de Conservação são essenciais para garantir o equilíbrio dos ecossistemas e, consequentemente, o futuro da humanidade”, afirma Samuel Portela.

A programação contará com cerca de 30 palestrantes e 20 expositores. A expectativa é reunir aproximadamente 700 participantes entre pesquisadores, estudantes, representantes do poder público, universidades, organizações da sociedade civil e imprensa especializada.

A UCBIO conta com o patrocínio “diamante” da Klabin e patrocínio “prata” da Caiman Pantanal, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Onçafari, além do patrocínio “bronze” da 3 Corações e da Itaipu Binacional.

Sobre a Rede Pró-UC

A Rede Pró-UC é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1998, que atua na mobilização da sociedade e na defesa das Unidades de Conservação do Brasil. A rede reúne organizações conservacionistas com o objetivo de fortalecer e ampliar as áreas protegidas, especialmente as de Proteção Integral, além de apoiar estratégias voltadas à criação, gestão e defesa dessas áreas como forma de garantir a conservação da biodiversidade brasileira.

Sobre a Associação Caatinga

A Associação Caatinga é uma organização da sociedade civil fundada em 1998, que atua na conservação do bioma Caatinga e na promoção do desenvolvimento sustentável no semiárido. A instituição desenvolve ações em áreas como comunicação, educação ambiental, pesquisa científica, políticas públicas, restauração florestal, criação e gestão de áreas protegidas e difusão de tecnologias sociais voltadas à convivência com a semiaridez. Entre suas iniciativas está a gestão da Reserva Natural Serra das Almas, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) com 6.285 hectares localizada entre Crateús, no Ceará, e Buriti dos Montes, no Piauí.

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