Pesquisa do Aláfia Lab aponta que 43% dos brasileiros encontram mais notícias falsas sobre política e eleições do que sobre qualquer outro tema, reforçando a importância do combate às fake news durante o período eleitoral.
Com o avanço das redes sociais e o surgimento de novas tecnologias de automação, a proliferação de conteúdos enganosos tornou-se um dos principais obstáculos para a garantia de eleições transparentes.
Em resposta a esse cenário, instituições de Justiça em todo o país vêm reforçando mecanismos de monitoramento e checagem para proteger o direito do cidadão ao acesso a dados verídicos, sem comprometer a liberdade de expressão.
A urgência do debate é respaldada por dados do Aláfia Lab, centro de pesquisa independente sobre internet e sociedade. Segundo o levantamento feito com 1.512 entrevistados, 43% dos brasileiros afirmam que a política e o processo eleitoral lideram o volume de notícias falsas com as quais se deparam no cotidiano.
O grande desafio enfrentado pelos magistrados durante as campanhas é coibir a disseminação de fraudes sem incorrer em práticas de restrição ao debate público legítimo. Para o presidente da Associação Cearense de Magistrados (ACM), juiz Hercy Alencar, o enfrentamento às notícias falsas é fundamental para preservar a confiança da população no processo democrático.
“Em um período de campanhas eleitorais e de eleições, o combate à desinformação se torna ainda mais importante. Precisamos garantir que o cidadão tenha condições de acessar informações corretas para formar sua própria convicção e exercer o direito de escolha. Ao mesmo tempo, é fundamental preservar a liberdade de expressão. O desafio da Justiça é combater conteúdos que possam comprometer a integridade do processo eleitoral sem transformar esse enfrentamento em restrição indevida ao debate democrático”, afirma.
O estudo do Aláfia Lab também aponta que a identificação de conteúdos falsos ainda representa um desafio. 58% dos entrevistados afirmam conseguir reconhecer fake news, mas com dúvidas em algumas situações, enquanto 29% dizem fazer essa identificação com facilidade.
Nesse contexto, a participação da sociedade é essencial. Antes de compartilhar uma informação, é sempre importante verificar a fonte, conferir se o conteúdo foi publicado por veículos ou instituições confiáveis e desconfiar de mensagens que apresentem informações alarmistas, fora de contexto ou sem comprovação.
Para Hercy Alencar, o cuidado com a informação deve ser uma responsabilidade coletiva.“A democracia depende de um cidadão bem informado. Por isso, cada pessoa tem um papel importante nesse processo: buscar fontes confiáveis, verificar informações e evitar o compartilhamento de conteúdos duvidosos. A Justiça, por sua vez, deve atuar para assegurar que o processo eleitoral ocorra com segurança, equilíbrio e respeito às regras democráticas.”
A atuação contra a desinformação, portanto, não significa limitar o debate público, mas proteger o direito à informação, a liberdade de escolha do eleitor e a legitimidade do processo eleitoral. Em um cenário de rápida circulação de conteúdos nas redes sociais e de avanço das ferramentas de inteligência artificial, a atenção à qualidade das informações se torna ainda mais necessária.