No mês de junho, o mundo volta seu olhar para uma das realidades mais dolorosas e silenciadas da infância: a violência sofrida por crianças. O Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, é celebrado anualmente no dia 4 de junho e foi instituído pela ONU, é um lembrete sombrio de que milhares de menores — em especial aqueles que vivem em zonas de conflito — enfrentam diariamente horrores como assassinatos, mutilações, sequestros e abusos sexuais. Mas a brutalidade não se restringe aos cenários de guerra. Em países como o Brasil, ela se infiltra nas casas, muitas vezes perpetrada por quem deveria proteger.
De acordo com relatório das Nações Unidas, a violência sexual é a violação mais subnotificada em contextos de conflito, impactando meninos e, principalmente, meninas — que representam mais de 90% das vítimas. O estigma, o medo e a ausência de mecanismos de proteção legal contribuem para o silêncio em torno do tema. E o cenário piora: entre 2022 e 2023, houve um aumento de mais de 32% na negação de acesso humanitário a crianças, sobretudo em países como Afeganistão, Mianmar e Sudão.
No Brasil, o panorama também é alarmante. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 200 crianças são vítimas de violência todos os dias. O segundo relatório Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil revela uma ocorrência a cada oito minutos, sendo que 80% dos casos com menores de até 14 anos ocorrem dentro de casa. Isso escancara uma verdade dolorosa: muitas vezes, o agressor não é um estranho, mas alguém próximo, até mesmo da família.
Mas como identificar sinais de abuso infantil?
Para proteger essas crianças, é essencial reconhecer os sinais — muitas vezes sutis — que podem indicar abuso. Comportamentos como isolamento, agressividade fora de contexto, regressões (como voltar a urinar na cama ou falar de forma infantilizada), alterações no sono, pesadelos frequentes, dores sem causa aparente e recusa em estar com determinadas pessoas ou em certos locais devem acender o alerta.
A psicóloga Aline Lima, docente do Centro Universitário UniFanor Wyden, destaca a importância da escuta ativa: “Os pais e educadores devem estar atentos aos sinais, mas também possibilitar uma escuta sensível ao que é comunicado pelas crianças. Descredibilizar suas falas ou comportamentos pode silenciar ainda mais o pedido de ajuda.”
A luta contra o abuso infantil exige o envolvimento de toda a sociedade. Vizinhos, escolas, profissionais da saúde e instituições públicas devem atuar como rede protetiva, respeitando a privacidade das famílias, mas nunca ignorando os sinais de alerta.
Segundo Aline, “uma rede preventiva parte da educação sobre a temática e da divulgação de canais de denúncia anônimos. Assim, protege-se quem denuncia e evitar-se constrangimentos à família e à própria criança. É essencial também monitorar espaços comunitários que possam representar risco.”
O combate à violência infantil também passa pela superação de tabus. A estudante do curso de Design do UniFanor Wyden Ana Cecília Mendes Moura, do projeto Monarca, leva esse debate à universidade e à sociedade. Sobrevivente de abuso, ela transformou sua dor em ação: “Meu objetivo é mostrar que a discussão pode ser empática e firme, dando voz às crianças e adolescentes e fortalecendo redes de apoio, como a que tive o privilégio de contar.”
Por meio de rodas de conversa e ações digitais, o projeto alerta para uma realidade muitas vezes ignorada: o perigo não está apenas nas ruas ou na internet. Ele pode morar sob o mesmo teto.
SOBRE O PROJETO
Desenvolvido na cidade de Bela Cruz (CE) e em atividade há três anos, o Projeto Monarca já está presente em mais de três municípios, incluindo a capital cearense. A iniciativa tem oferecido apoio e orientação a quase mil pessoas, desempenhando um papel fundamental na conscientização e prevenção da violência contra crianças e adolescentes.
Para saber mais e apoiar o projeto, siga @projmonarca no Instagram ou entre em contato pelo e-mail: projmoonarca@gmail.com.


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