Uso de canetas emagrecedoras pode aumentar o desgaste nas articulações, alerta ortopedista

Acompanhamento multiprofissional é fundamental para um emagrecimento seguro durante o tratamento

O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, tem crescido de forma significativa no Brasil. Fármacos como o Ozempic e o Wegovy, ambos à base de semaglutida, passaram a integrar a rotina de muitos pacientes que buscam emagrecimento rápido.

Embora apresentem eficácia comprovada na redução de peso quando bem indicados e acompanhados por profissionais de saúde, o emagrecimento acelerado pode trazer impactos ortopédicos relevantes se não houver atenção à preservação da massa muscular.

De acordo com o cirurgião ortopédico Dr. Jonatas Brito, especialista em cirurgia do joelho e doutor em Cirurgia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o foco não deve estar apenas na balança. “O peso corporal diminui, mas parte dessa perda pode ser de massa muscular. E o músculo é fundamental para proteger as articulações, especialmente o joelho”, explica.

Massa muscular é proteção articular

O joelho é uma articulação que suporta grande carga ao longo da vida. A musculatura, especialmente quadríceps e posteriores da coxa, funciona como estabilizadora dinâmica, reduzindo o impacto sobre cartilagem, menisco e ligamentos.

Segundo o especialista, quando há perda muscular significativa sem reposição por meio de exercícios de fortalecimento, o risco de dor, instabilidade e lesões aumenta. “Não basta emagrecer. É preciso fortalecer com qualidade porque toda lesão ortopédica necessita de fisioterapia, e toda estratégia de emagrecimento precisa incluir exercício resistido. O músculo funciona retirando o impacto das articulações”, afirma.

A redução rápida de peso pode levar muitos pacientes a iniciar atividades físicas de maior impacto sem preparo adequado. A combinação entre massa muscular reduzida e aumento abrupto de carga/exercícios de impacto pode favorecer lesões no menisco, tendinites e até rupturas ligamentares.

Para o médico, o acompanhamento multiprofissional é essencial. “O medicamento pode ser uma ferramenta dentro de um plano terapêutico, mas não substitui atividade física orientada. Cirurgias não são feitas para serem rápidas, e sim bem feitas. Da mesma forma, o emagrecimento precisa ser responsável e sustentável”, pontua.

Emagrecimento com segurança

Para o ortopedista, o ideal é que a perda de peso esteja associada a um programa estruturado de fortalecimento muscular, preferencialmente com orientação de educador físico e fisioterapeuta. A prática regular de exercícios resistidos ajuda a preservar massa magra, melhora o equilíbrio e reduz o risco de lesões.

“Nosso papel é olhar o paciente de forma integral. A saúde articular depende de peso adequado, mas também de músculo forte, movimento bem orientado e acompanhamento médico responsável”, diz o profissional. “Não devemos olhar apenas para um número na balança, mas para a saúde a longo prazo. Não tratamos números, e sim pessoas”, conclui.

Sobre o profissional

Jonatas Brito é professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus. Especialista em Cirurgia do Joelho, possui doutorado em Cirurgia pela UFC, tendo realizado diversos estágios internacionais, inclusive na Alemanha. É criador da técnica mais utilizada no mundo que recupera menisco e previne artrose no joelho. Também é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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