Parar de fumar também é recuperar o fôlego: como a fisioterapia pode ajudar ex-fumantes

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o Brasil enfrenta um novo desafio no controle do tabagismo: a estagnação na redução do número de fumantes. Um artigo publicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2026 aponta uma estagnação epidemiológica do tabagismo e defende a necessidade de novas estratégias para estimular a cessação. Segundo a série histórica do Vigitel, a prevalência de fumantes adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, que vinha apresentando queda ao longo dos anos, chegou a 11,5% em 2024.

Durante os anos de consumo do cigarro, muitos fumantes desenvolvem doenças pulmonares crônicas, como enfisema e bronquite crônica, que podem provocar alterações permanentes no sistema respiratório. Mesmo após abandonar o cigarro, esses pacientes podem continuar convivendo com falta de ar, cansaço aos esforços, redução da capacidade pulmonar e perda de condicionamento físico. É nesse processo que a fisioterapia pode contribuir, atuando na avaliação da capacidade respiratória, no condicionamento físico e na reabilitação de pessoas que apresentam limitações relacionadas ao histórico de tabagismo.

Segundo o fisioterapeuta e coordenador do curso de Fisioterapia da Estácio Ceará,Leonardo Freire, parar de fumar é apenas o início de um processo de recuperação que pode envolver diferentes aspectos da saúde. “Parar de fumar é uma decisão fundamental para a saúde, mas algumas pessoas podem continuar apresentando limitações respiratórias e físicas mesmo depois de abandonar o cigarro, principalmente quando existe um histórico prolongado de tabagismo. A fisioterapia pode ajudar a avaliar essas condições e desenvolver um programa individualizado para melhorar a capacidade respiratória, a força muscular e o condicionamento físico”, explica.

A atuação fisioterapêutica pode envolver exercícios respiratórios, treinamento da musculatura respiratória, fortalecimento muscular e atividades aeróbicas progressivas, de acordo com as condições e necessidades de cada paciente. Nos casos em que já existe uma doença respiratória associada ao tabagismo, a reabilitação pulmonar pode integrar o tratamento, contribuindo para melhorar a tolerância aos esforços e a qualidade de vida.

“O objetivo não é simplesmente fazer com que o paciente respire melhor, mas ajudá-lo a recuperar a capacidade de realizar as atividades do dia a dia com menos cansaço e mais segurança. Muitas vezes, a pessoa que fumou durante anos passa a evitar caminhadas, subir escadas ou outras atividades porque sente falta de ar. Com uma avaliação adequada e um trabalho progressivo, podemos ajudar esse paciente a retomar uma vida tranquila e funcional”, afirma Leonardo.

O especialista destaca ainda que o acompanhamento deve considerar as condições individuais de cada pessoa e fazer parte de uma abordagem multiprofissional. “A fisioterapia não substitui o acompanhamento médico, mas pode atuar de maneira complementar, tanto na prevenção de perdas funcionais quanto na reabilitação de quem já apresenta algum comprometimento. O mais importante é que o paciente seja avaliado e tenha um plano de cuidados adequado às suas necessidades, para que possa recuperar não apenas a capacidade respiratória, mas também sua autonomia e funcionalidade”, orienta.

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