Treze ambientes da mostra exploram referências à história, à cultura e aos saberes locais por meio de obras de arte, técnicas artesanais, materiais naturais e releituras da paisagem cearense
A arquitetura e o design de interiores também são formas de preservar a memória e expressar a identidade de um lugar. Na CASACOR Ceará 2026, essa relação aparece em projetos que incorporam referências à história do Estado, ao artesanato, às tradições do sertão, à paisagem urbana de Fortaleza e à produção artística regional. Em diferentes propostas, os profissionais recorrem a materiais, objetos, narrativas e técnicas que aproximam a criação contemporânea dos saberes e das experiências que compõem a cultura local.
Na 28ª edição da mostra, que tem como tema Mente e Coração, 13 ambientes se destacam por abordar, sob diferentes perspectivas, a memória, a identidade cultural e a valorização das raízes regionais. As propostas incluem homenagens a artistas, referências à trajetória de instituições cearenses, valorização da produção artesanal e interpretações da história e dos costumes do Nordeste.
No Ateliê Guiomar Marinho, Tìcci Sánford homenageia a artista cearense por meio de tapeçarias originais, fibras vegetais e elementos que preservam as marcas do tempo. A composição estabelece uma relação entre arte, matéria e memória, valorizando a trajetória da homenageada e a permanência de sua produção no imaginário cultural.
A memória também orienta a proposta da Sala Raízes do Tempo, assinada por Mirian Bastos. O ambiente presta homenagem a Rogério Aguiar e estabelece uma conexão com a história de Marco, município cearense reconhecido pela produção de móveis. A referência ao polo moveleiro aproxima a narrativa pessoal e territorial da atividade produtiva que integra a identidade da região.
A relação entre criação contemporânea e saberes tradicionais aparece na Terra & Trama – Loja CeArt, de Siará Arquitetura. O projeto valoriza o artesanato cearense com referências à renda de bilro, à madeira e ao uso de materiais naturais. A proposta destaca a presença do trabalho manual no design e na composição dos espaços, evidenciando técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.
Em diálogo com a diversidade cultural do Estado, o Armazém Sebrae, de Victo Alves Braga, reúne referências a produtos, tradições e expressões de diferentes regiões do Ceará. O ambiente apresenta a riqueza da produção local como parte da identidade do território, aproximando o público dos saberes e das atividades que caracterizam as comunidades cearenses.
As tradições sertanejas ganham uma releitura contemporânea no ambiente Na Roça, de Ney Filho. A proposta recupera a memória dos antigos banheiros do sertão e transforma essa referência cotidiana em elemento de composição arquitetônica. O projeto aborda a memória como parte da experiência cultural e da relação entre as pessoas e o espaço.
A cultura nordestina também orienta a Cozinha Raízes, assinada por Liana Santana Arquitetura. O ambiente estabelece conexões entre arquitetura, sabores e paisagens da região, aproximando a experiência doméstica de referências culturais associadas à alimentação e ao território.
No ambiente Casa O Povo, Marçal Barroz explora referências à identidade cultural brasileira, aos povos originários e à história da comunicação. A proposta articula diferentes camadas da memória coletiva, relacionando cultura, representação e os modos pelos quais as histórias são registradas e compartilhadas.
A memória urbana aparece em Entre – Fortaleza 300 Anos, de Claryanne Aguiar, que utiliza arte e referências à cidade como elementos de construção narrativa. O ambiente propõe uma reflexão sobre a trajetória de Fortaleza e sobre a maneira como a história urbana permanece presente na experiência contemporânea de seus habitantes.
Essa relação entre arquitetura e passagem do tempo também está no Entre Arcos e Afetos, de Rosalinda Pinheiro. O projeto parte de referências à arquitetura de Fortaleza para estabelecer um diálogo entre passado e presente. Os elementos que remetem à paisagem construída da capital cearense aproximam a composição de uma memória urbana compartilhada, na qual formas arquitetônicas também carregam significados afetivos.
A memória familiar e institucional orienta o Estar Íntimo – Raízes de Afeto, assinado pela Universidade de Fortaleza (Unifor). O ambiente relaciona a história de uma família à trajetória da instituição, aproximando lembranças pessoais e memória institucional. A proposta evidencia como os espaços interiores podem representar vínculos construídos ao longo do tempo e registrar experiências que atravessam diferentes gerações.
Em Casa Kai, Afonso Tomoda estabelece um diálogo entre referências orientais e as raízes tropicais do Ceará. A proposta aproxima repertórios culturais distintos e explora a possibilidade de construir uma identidade própria a partir do encontro entre influências, materiais e contextos. O ambiente aborda a identidade como resultado de relações entre diferentes tradições, sem perder de vista as características do lugar onde está inserido.
A produção artística e artesanal cearense também integra o Estar Entre Folhas, de Isabelle Miranda e Tiago Falcão. O projeto reúne referências a artistas e artesãos locais em diálogo com o design brasileiro, valorizando a contribuição da produção autoral para a composição dos espaços. A proposta destaca o trabalho criativo como elemento de expressão cultural e como forma de aproximar diferentes linguagens artísticas.
Já o ambiente Olhar que Eleva, de Elias Petruço, parte de referências ao design cearense para explorar a relação entre criação, identidade e território. Ao incorporar elementos desse repertório, o projeto evidencia como a produção local pode servir de ponto de partida para propostas contemporâneas de arquitetura e interiores.
A CASACOR Ceará 2026 permanece aberta ao público até 29 de novembro, na Rua Tibúrcio Cavalcante, 607, no bairro Meireles, em Fortaleza (CE), em um imóvel da Moura Dubeux. A 28ª edição reúne 35 ambientes assinados por 51 profissionais, com a participação de cerca de 140 empresas.
Serviço
CASACOR Ceará 2026
Período de visitação: 15 de outubro a 29 de novembro de 2026
Ingressos: https://appcasacor.com.br/
Local: Rua Tibúrcio Cavalcante, 607 – Fortaleza/CE
Funcionamento: terça-feira a sábado, das 16h às 22h; domingos e feriados, das 15h às 21h
02/11 – segunda-feira: Das 15h às 21h
15/11 – domingo: Das 15h às 21h 20/11 – sexta-feira: Das 15h às 21h
Valores:
Entrada inteira: R$ 98
Meia-entrada: R$ 49
Passaporte: R$ 290, pessoal e intransferível, com direito à visitação livre nos dias em que a mostra estiver aberta ao público.

