Integração com a natureza norteia coleção da Ethos no DFB Festival 2026

De volta ao território onde sua história começou, o DFB Festival propõe o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da Cidade Dragão” em 2026. De 09 a 12 de junho, o evento ocupa o bairro de Fortaleza onde se encontra a loja da Ethos, marca criada há 33 anos sob a direção de Beatriz Castro. No dia 10 de junho, às 16h30, a marca apresenta sua nova coleção com o tema “Integração”, na Rua dos Tabajaras.

No total, são 30 looks em que se observa a harmonia entre tradição e inovação. A coleção “Integração” reúne elegantes peças de linho nas quais se sobressaem técnicas artesanais como bordado, crochê, labirinto e shibori — que são a marca registrada da Ethos no mercado brasileiro. O desfile também dá lugar às criações mais recentes da estilista e designer de moda autodidata, que também é artista visual e toma o crepe de viscose como tela para suas pinturas à mão inspiradas no conceito da nova coleção.

“Neste desfile, meu desejo é ressaltar que nós, humanos, somos parte da natureza. É ela a mãe de todos nós, aquela que tudo sustenta e a quem devemos respeitar, proteger e reverenciar. Reconhecemos sua soberania sobre tudo e todos”, explica Beatriz. Entre criações que remetem à memória e à identidade, “elegi, sobretudo, o elemento água, representado pelo mar, o grande amor da minha vida; espaço de conexão com o que é maior do que nós, um possível elo entre o humano e o divino”, ressalta ela.

Em pinturas e acessórios exclusivos, a presença da flora e da fauna é pontuada por cores e muita criatividade. “Desejo ainda declarar meu amor pelos pequenos animais que convivem conosco em nosso cotidiano, muitas vezes invisibilizados, mas profundamente dignos de cuidado e respeito, pois todos têm uma função essencial para a manutenção da vida. Junto a todos os outros animais, florestas, mares, rios e demais elementos, nós, humanos, somos simplesmente parte desse ecossistema; nem maiores, nem melhores, mas parte de um todo que, naturalmente, pode funcionar em plena harmonia”, defende a estilista.

Ao reverenciar a natureza, Beatriz se reconecta com suas raízes e traz uma persona que representa a sua curiosidade — desde menina — pelos mistérios da vida. O poderoso arquétipo feminino da bruxa ganha destaque na coleção, evocando as detentoras de saberes ancestrais, guardiãs e amantes das florestas.

“Essas mulheres foram chamadas de bruxas pejorativamente pelo simples fato de saberem demais: conheciam a medicina das plantas, compreendiam as fases da lua, o fluxo das águas e confiavam em si mesmas. Eram independentes, amavam o conhecimento e sabiam viver sozinhas. É também a partir desse ponto que este desfile se constrói: por meio de técnicas manuais, do uso de fibras naturais e de processos que respeitam o tempo e a natureza, como um exemplo de reconexão do trabalho manual com os ciclos naturais”, revela a estilista.

“Nós, bruxas modernas, amamos a natureza e a vida feita à mão. Somos capazes de morrer e renascer quantas vezes for necessário. Sabemos cozinhar, coser, remendar, recuperar, preservar, resgatar, nutrir, ressignificar e amar sem nos perder. Nosso maior feitiço é ter aprendido a nos reinventar sempre e para sempre”, conclui.

SERVIÇO

Desfile da Ethos no DFB Festival 2026

Data: 10/06/26

Horário: 16h30

Local: Rua dos Tabajaras (próximo a Igreja de São Pedro Apóstolo)

Aberto ao público

Sobre Beatriz Castro – É socióloga pela Universidade de Fortaleza (Unifor), estilista, designer de moda autodidata e artista visual. Desde a adolescência, se dedica às artes manuais e aos estudos de moda e indumentária. Lecionou História da Indumentária, de 1989 a 1992, nos dois primeiros cursos de Estilismo e Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Especialista em desenvolvimento de produtos têxteis, trabalhou para diversas marcas de confecção no Ceará, com destaque para a marca que levava o nome de sua mãe, a designer Fátima Castro.

É autora do vestido de bandeirinhas inspirado nas festas de São João, finalista em 1992 do concurso internacional Smirnoff Fashion Awards. A peça foi capa da revista NOVA (da Editora Abril), integrou a exposição inaugural do Centro de Design do Ceará, “Tempo Presente em Nós: Design, Memória e Inovação”, e foi projetada na fachada do MASP (Museu de Arte de São Paulo) por ocasião das comemorações dos 90 anos da Semana de Arte Moderna, em 2012.

Nos anos 90, realizou exposições com a marca Ethos em Düsseldorf, na Alemanha, e em Lyon, na França (no Musée Historique des Tissus). Também foi convidada pelo Consorzio Produttori Italiani Tessuto Abbigliamento para realizar um desfile em Milão com tecidos italianos, inspirando-se nas festas, no artesanato e na cultura local. Em março de 2023, os registros desse desfile ganharam uma exposição individual no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza (CE).

Seu trabalho consta no livro “História da Moda no Brasil”, de João Braga e Luís André do Prado. Prestou consultoria a cooperativas de artesanato do interior do Ceará pelo Ceart (Centro de Artesanato do Ceará) e trabalhou para o Artesol (projeto de Dona Ruth Cardoso) na Ilha do Ferro, interior de Alagoas.

Em junho de 2024, participou da coletiva “Coleta de maresia”, na Sculpt Galeria, com curadoria de Jacqueline Medeiros, apresentando gravuras inspiradas no livro “Mulheres que correm com os lobos”.

Lançou o livro “Fátima Castro” em 2025, narrando o estilo de uma mulher à frente de seu tempo. Em março de 2026, foi uma das designers integrantes da exposição “Design por Mulheres 2026”, no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC), com curadoria de Tania Vasconcelos e Claudia Marinho.

Hoje, continua na direção criativa de sua marca própria, a Ethos, fundada há 33 anos, que produz roupas de linho bordadas à mão por meio de diversas técnicas, principalmente o labirinto.

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